
Tenho a impressão que muita gente entende a disciplina de forma negativa. E noto isto inclusive entre os jovens universitários – a maioria coloca a disciplina como inimiga da liberdade e do prazer.
Porém, posso assegurar: só é livre, de fato, quem é disciplinado. E pessoas disciplinadas têm prazer de um jeito bem diferente e mais realizador do que quem aposta todas as fichas em uma suposta vida prazerosa. Isto porque, pessoas disciplinadas conseguem atingir seus objetivos e realizar seus planos. Ao atingir seus objetivos e realizar aquilo que planejaram, sentem prazer por darem conta daquilo que se propuseram a fazer.
Além disso, pessoas disciplinadas estão sempre avançando; podem enfrentar contratempos, mas nunca param de crescer.
A disciplina assegura a consistência necessária para darmos conta, não apenas de nossas tarefas diárias com eficiência, mas também para colocarmos em prática nossos sonhos.
Para mim, a melhor definição de disciplina é esta que escrevi tempos atrás:
Disciplina é a capacidade de se manter focado, seguir um plano e perseverar diante das dificuldades. Disciplina é a força que nos mantém no caminho certo, mesmo quando a motivação inicial desaparece.
Então, entenda:
Muitas vezes, começamos algo com entusiasmo e motivação. Mas, ao longo da jornada, é comum que esses sentimentos diminuam e que as dificuldades comecem a pesar. Afinal, sentimentos estão num campo abstrato; têm a ver com o que sentimos – e o que sentimos muda de acordo com as circunstâncias, com o momento que a gente está vivendo. Por isso, não dá para guiar nossa vida em função do que sentimos.
É aí que a disciplina se torna essencial. Disciplina é decisão; é escolha de fazer mesmo quando falta a vontade. E é a disciplina que nos mantém firmes, que nos impulsiona a seguir em frente quando o entusiasmo inicial já não está mais lá para nos motivar.
Disciplina não é sobre força de vontade inabalável; é sobre construir pequenos hábitos diários que nos levam para a direção certa. É a capacidade de focar no propósito, de lembrar o porquê de nossas escolhas, e de dar um passo de cada vez, mesmo quando o caminho parece difícil.
Tem dias que você não quer fazer, mas você faz. É assim com o cumprimento da agenda de trabalho, com a programação de exercícios físicos, com os estudos, com a leitura… Você faz porque tem um propósito maior, não porque está necessariamente com vontade. É disto que se trata.
A disciplina é o que transforma um objetivo em uma realidade; a disciplina nos ajuda a manter o compromisso com o que realmente importa, assegurando a consistência necessária para dar sequência ao que nos propusemos fazer.
Essa força é o que nos leva a enfrentar os dias mais desafiadores com coragem. A disciplina nos lembra de que o esforço vale a pena, e de que cada pequeno passo conta.
Enquanto a motivação é como uma faísca, a disciplina é o combustível que mantém o fogo aceso. Ela nos ajuda a atravessar os momentos de dúvida, de desânimo e de fadiga, sabendo que cada dificuldade nos coloca mais próximos de atingir nossos objetivos.
Praticar a disciplina significa honrar os compromissos que fizemos com nós mesmos. É uma decisão diária de não desistir, de não abrir mão daquilo que sabemos ser importante, e de construir o nosso próprio caminho com determinação.
A cada obstáculo superado, a disciplina nos recompensa com a certeza de que somos capazes, de que estamos no caminho certo, e de que o esforço constante é o que nos leva a alcançar nossos objetivos.
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Ronaldo Nezo
Comunicador Social / Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras / Doutor em Educação
