
O Hospital Universitário da Universidade Estadual de Maringá (UEM) registrou aumento de 32% nos atendimentos antirrábicos entre janeiro e maio de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. Os dados são do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH).
No intervalo analisado, o hospital passou de 92 atendimentos em 2025 para 135 em 2026. A maior parte dos casos envolve acidentes com cães, que somaram 102 registros neste ano. Em seguida aparecem gatos (15), morcegos (12), outros animais (4) e macacos (2).
Os morcegos, no entanto, seguem sendo motivo de atenção especial por seu papel na transmissão da raiva. Segundo o levantamento, também houve aumento de acidentes envolvendo animais silvestres e de produção, que passaram de 11 casos em 2025 para 18 em 2026.
A enfermeira e coordenadora do NVEH, Mariluci Labegalini, explica que, embora os acidentes ainda sejam mais comuns com animais domésticos, os silvestres vêm ganhando relevância epidemiológica. “Principalmente depois dos anos 2000, as evidências científicas apontam aumento das transmissões envolvendo animais silvestres, em grande parte morcegos, em ambientes urbanos. Esses animais se adaptam ao ambiente da cidade e se tornam reservatórios importantes”.
A raiva é uma doença viral que atinge o sistema nervoso central e apresenta letalidade próxima de 100% após o início dos sintomas. A transmissão ocorre por mordedura, arranhadura, lambedura ou contato direto com secreções de animais infectados. O ser humano é considerado hospedeiro acidental no ciclo da doença.
Embora o Paraná seja classificado como área controlada para transmissão de raiva em animais domésticos, a vigilância permanece constante devido ao alto risco e gravidade da doença.
Os dados do HUM mostram crescimento contínuo dos atendimentos nos últimos anos. Desde 2020, foram registrados 1.140 casos. O número passou de 169 naquele ano para 281 em 2025. Em 2026, até maio, já são 135 atendimentos, com projeção de manutenção da alta demanda ao longo do ano.
Somente em junho, antes da metade do mês, foram contabilizados 15 novos casos, o que indica média superior a um atendimento por dia. O levantamento aponta ainda que 86,2% dos pacientes atendidos são de Maringá. O perfil mais comum envolve adultos jovens entre 20 e 29 anos, que representam 18,2% dos casos, e homens, que correspondem a 51% dos atendimentos. As lesões ocorrem principalmente nas mãos e pés, com 39% dos registros.
Apesar do volume de atendimentos, o HUM não é referência exclusiva para esse tipo de serviço. Segundo a equipe técnica, os atendimentos antirrábicos devem ser realizados preferencialmente em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA), conforme a organização do Sistema Único de Saúde (SUS).
Alexia Alves
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