
Dados apresentados pelo Conselho Municipal de Assistência Social (Comas) revelam que mais de 10 mil famílias maringaenses vivem com renda mensal inferior a R$ 109 por pessoa, condição classificada como extrema pobreza.
As informações fazem parte do levantamento do Cadastro Único (CadÚnico), que registrou crescimento de 2,9% no número de famílias cadastradas entre janeiro e abril deste ano. No período, o total passou de 48.774 para 50.180 famílias, um aumento de 1.406 registros.
Os dados foram apresentados durante a 5ª reunião extraordinária do Comas, com base em relatório elaborado pela Comissão Temática do Cadastro Único e do Programa Bolsa Família. O crescimento ocorreu de forma contínua ao longo dos quatro primeiros meses de 2026. Em fevereiro, o município contabilizava 49.574 famílias cadastradas; em março, 49.788; e, em abril, o número ultrapassou a marca de 50 mil.
O levantamento aponta que a maior concentração de famílias cadastradas está justamente nas faixas de menor renda. O grupo com renda mensal entre R$ 0 e R$ 109 por pessoa passou de 9.752 famílias em janeiro para 10.125 em abril. Já a faixa entre R$ 109,01 e R$ 218 reúne 12.439 famílias.
Os números indicam que mais de 22 mil famílias cadastradas no município vivem com renda de até R$ 218 por pessoa. Todas elas são beneficiárias do Programa Bolsa Família, o que reforça o perfil de vulnerabilidade social atendido pela rede de assistência do município.
Durante a apresentação dos dados, a coordenadora da Gerência do Cadastro Único, Ana Brito, atribuiu parte do aumento às mudanças promovidas pelo governo federal nas regras de cadastramento e atualização dos dados, incluindo a exigência de biometria para os beneficiários. Segundo ela, o município também tem intensificado as ações de busca ativa e atualização cadastral, especialmente entre famílias unipessoais e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Para o Conselho Municipal de Assistência Social, o crescimento do Cadastro Único serve como alerta para a necessidade de ampliação do monitoramento e do planejamento das políticas públicas voltadas à população em situação de vulnerabilidade. A avaliação é de que o aumento da demanda exige atenção constante para garantir o acesso das famílias aos programas de transferência de renda, benefícios sociais e demais serviços da rede de proteção.
Os dados foram apresentados aos conselheiros durante plenária realizada no Auditório da Secretaria de Assistência Social e integram o relatório que também abordou a prestação de contas do Índice de Gestão Descentralizada (IGD) e o Plano de Integridade do Cadastro Único.
Da Redação
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