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Injustiças sim, injustiçados não

 Um amigo pediu a minha opinião sobre uma frase, seguida de comentário, publicados na página Pensadores, introdução à filosofia, de autoria de Fernando Vallejo, que escreveu:

        ‘Um Deus que permite que uma criança morra de fome, enquanto um papa vive num palácio dourado, não é um Deus, é uma invenção maligna ou a indiferença absoluta’.  A seguir  o comentário do site:

        A frase de Fernando Vallejo é uma crítica radical à contradição entre o sofrimento humano e o poder religioso , atacando não  apenas a ideia de Deus, mas a incoerência moral de um mundo em que:crianças morrem na miséria,enquanto   a cúpula da  igreja vive cercados de riqueza, luxo e autoridade.O contraste entre “a criança faminta” e “o Papa no palácio dourado” funciona como símbolo de desigualdade,hipocrisia institucional,e silêncio diante da dor humana.

A frase também dialoga com um problema filosófico muito antigo chamado “problema do mal”: Se Deus é bom e todo-poderoso, por que permite sofrimentos tão cruéis?Pensadores diferentes responderam isso de formas diferentes:FiódorDostoiévski questionava o sofrimento inocente, especialmente o das crianças.Friedrich Nietzsche via muitas instituições religiosas como estruturas de poder e domesticação.José Saramago frequentemente criticava a religião organizada por considerar que ela produzia medo e culpa.Já Santo Agostinho defendia que o mal surge da liberdade humana, não de Deus.

Vallejo leva a crítica ao extremo: para ele, um Deus que aceita tal injustiça seria moralmente impossível- ou então seria apenas uma criação humana indiferente ao sofrimento real. A força da frase vem justamente porque ela toca numa ferida universal: a revolta diante da dor inocente.’

 E agora prossigo eu (Akino), para contrapor , com base nos princípios básicos da filosofia espirita que são: Existência de Deus,  inteligência suprema e causa primária de todas as coisas. Soberanamente justo, bom, eterno e imutável. Imortalidade da Alma:  ser inteligente  criado por ELE de forma simples e ignorante.  que sobrevive à morte do corpo físico. Reencarnação: o princípio de que o espírito ( alma) retorna a um corpo físico em múltiplas existência para evoluir intelectual e moralmente. O esquecimento do passado permite que ele foque nas provas da vida atual. Comunicabilidade dos Espíritos: É a capacidade dos espíritos (desencarnados) se comunicarem com os seres humanos (encarnados) por meio de médiuns, que atuam como intermediários. Pluralidade dos Mundos Habitados: Todos os planetas e corpos celestes do universo são habitados por seres em diferentes estágios de evolução.

Para Santo Agostinho, Deus não é apenas um dogma de fé, é uma verdade que pode ser alcançada pela razão. Ele desenvolve a Prova pela Verdade na obra O Livre-Arbítrio, partindo da constatação de que existem verdades universais e imutáveis (como as leis da matemática) que são superiores à nossa própria mente mutável. Refuta o ceticismo concluindo que, mesmo que duvidemos de tudo, a própria dúvida é uma certeza. Se duvidamos, existimos.Agostinho classifica os seres de forma ascendente: os que apenas existem (pedras), os que existem e vivem (plantas/animais), e os que existem, vivem e pensam (humanos).

A mente humana é capaz de pensar, mas não cria as verdades eternas (a justiça, a lógica, as verdades matemáticas), apenas as descobre. Como essas verdades são perfeitas, universais e imutáveis, e a nossa mente é imperfeita e mutável, a fonte dessa Verdade deve ser algo ainda superior à nossa razão. Essa realidade suprema, o ápice dessa hierarquia do ser, imutável e fonte de toda a Verdade, é o que chamamos de Deus, que nos criou a todos simples e ignorantes.

 Pelo dogma da reencarnação, uma criança que sofre com a fome, e o papa que tem uma vida confortável, materialmente, passam por provas e expiações, decorrentes das próprias ações, no passado, e dos seus próximos, no presente. No mundo há injustiças, mas não injustiçados pelas leis divinas.

 Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução

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