
Joaquim Dutra e eu estávamos em Curitiba tratando de assuntos relacionados com a “Folha do Norte do Paraná”. No hall do Hotel Del Rey, onde estávamos hospedados, deparamos por acaso com outro maringaense, o Doutor Naby Zacarias. Após os cumprimentos e abraços, ele perguntou se tínhamos algum compromisso para aquela noite. Não tínhamos. “Então – disse ele – vou levá-los para jantar num bistrozinho que serve o melhor espaguete da cidade”. Marcamos o encontro para as 19h30 na portaria do hotel.
Não guardei o nome do bistrô, porém me lembro de que ficava perto do estádio Couto Pereira. Um lugarzinho rústico, mas charmoso, e a comida era realmente deliciosa. Melhor ainda foi o longo papo com o saudoso e querido médico, que nos contou belas histórias de sua juventude.
A complicação começou na volta para o hotel. Pegamos uma baita chuvarada, o táxi entrou numa rua alagada, o motor afogou e lá ficamos nós ilhados sem saber o que fazer. O motorista simplesmente pediu desculpa e disse desconsolado: “Não vai ter jeito…”
Saímos do carro embaixo de chuva e com água acima dos joelhos. Alcançamos a calçada e fomos caminhando na esperança de achar uma solução. Uns duzentos metros adiante havia uma farmacinha aberta. Entramos.
Eram mais de 22 horas. Por sorte, Naby trazia no bolso do paletó uma cadernetinha com endereços, entre os quais constava o telefone da residência do então deputado estadual Túlio Vargas. Pensamos: político tem sempre algum assessor pronto para atender emergências.
O dono da farmácia teve a gentileza de nos emprestar o telefone. Líguei para o Túlio, falei da situação que estávamos enfrentando e perguntei se ele tinha alguém que pudesse nos socorrer. Ele respondeu: “Tenho sim. Me dê o endereço e fiquem aí aguardando com calma”.
Meia hora depois lá chegou o próprio Túlio com toda aquela simpatia dele e nos levou para o hotel. Completamente encharcados, porém sãos e salvos.
A. A. de Assis
Foto – Blog do Rigon
