
A Prefeitura de Maringá aprovou o Plano Municipal de Atendimento à População em Situação de Rua, documento que passa a orientar as políticas públicas voltadas ao atendimento, proteção social e garantia de direitos dessa população.
Publicado no Diário Oficial, o plano reúne estratégias integradas em oito áreas, como saúde, assistência social, habitação, educação, trabalho, segurança alimentar e segurança pública.
O diagnóstico que embasa o plano aponta que Maringá possui 994 pessoas em situação de rua inseridas no Cadastro Único, conforme levantamento realizado em fevereiro de 2026. A maior parte dessa população está em idade economicamente ativa.
O grupo mais numeroso tem entre 25 e 34 anos, com 226 pessoas, seguido pelas faixas de 40 a 44 anos (198), 35 a 39 anos (152) e 45 a 49 anos (149). Os idosos representam uma parcela menor, com 50 pessoas acima dos 60 anos.
Outro dado que chama a atenção é o tempo de permanência nas ruas. Pelo menos 205 pessoas vivem nessa condição há mais de dois anos, cenário que evidencia dificuldades para reconstrução dos vínculos familiares, acesso ao mercado de trabalho e reinserção social.
Em relação ao perfil racial, predominam pessoas pardas (442) e brancas (429), seguidas por 112 pessoas negras. A baixa escolaridade também aparece como um dos principais desafios: 415 pessoas possuem apenas o ensino fundamental incompleto, enquanto somente 24 declararam ter iniciado ou concluído o ensino superior.
Na área do trabalho, o levantamento mostra elevada vulnerabilidade econômica. Das 989 pessoas que responderam ao questionário, 614 informaram não ter exercido nenhuma atividade remunerada nos 12 meses anteriores ao cadastro.
Na área da saúde, o plano define as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) como principal porta de entrada para o atendimento da população em situação de rua. A estrutura municipal conta atualmente com 35 UBSs, 99 equipes de Saúde da Família e uma equipe do Consultório na Rua, responsável pelo atendimento itinerante e pela busca ativa dessa população.
O atendimento também envolve Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e hospitais, garantindo acompanhamento integrado e acolhimento humanizado.
Na assistência social, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) serão responsáveis pelo acolhimento inicial e encaminhamento ao Centro POP e ao Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS).
O Centro POP continuará oferecendo alimentação, espaço para higiene pessoal, guarda de pertences, emissão de documentos, acompanhamento psicossocial e encaminhamento para programas de habitação, saúde, educação e trabalho.
O diagnóstico também aponta limitações na rede de acolhimento do município. Atualmente, Maringá dispõe de 120 vagas destinadas a pessoas em situação de rua, distribuídas entre serviços públicos e entidades parceiras.
O próprio plano reconhece que a capacidade é insuficiente para atender à demanda existente e destaca a necessidade de ampliar o atendimento, especialmente para mulheres, pessoas trans e famílias, públicos que ainda não contam com estruturas específicas de acolhimento.
ALIMENTAÇÃO
Na área de segurança alimentar, o município mantém cinco Restaurantes Populares, hortas comunitárias e o Banco de Alimentos. Por meio do Centro POP, são distribuídos aproximadamente 1.200 tíquetes por mês para refeições gratuitas destinadas à população em situação de rua.
Na área de empregabilidade, a Agência do Trabalhador continuará realizando atendimentos periódicos no Centro POP. Entre abril e julho de 2025, 80 pessoas foram atendidas, 50 participaram de entrevistas de emprego e nove conquistaram uma vaga no mercado formal. A meta da administração municipal é ampliar esse número por meio de novas ações de inclusão produtiva.
Entre as metas estabelecidas pelo Plano Municipal estão a ampliação da Operação Inverno, com reforço das abordagens sociais, distribuição de cobertores, alimentação e aumento das vagas de acolhimento durante períodos de frio intenso.
Outra prioridade é a modernização do Centro POP, que deverá passar por reforma estrutural, ampliação dos espaços de atendimento, instalação de novos banheiros e chuveiros e implantação de uma lavanderia para atender a população em situação de rua.
Na área de proteção às mulheres, o documento prevê o fortalecimento das ações já desenvolvidas pelo município, como acolhimento de vítimas de violência na Casa Abrigo, distribuição gratuita de absorventes pelo programa Dignidade e Proteção e oferta de cursos de qualificação profissional por meio do Qualifica Mulher.
Da Redação
Foto – PMM
