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Maringá destaca rede de atendimento às vítimas de violência

O Agosto Lilás ganha um significado especial neste ano com os 20 anos da Lei Maria da Penha, completados na última sexta-feira. Criada para fortalecer o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, a legislação ampliou os mecanismos de proteção às vítimas e consolidou medidas de prevenção, assistência e responsabilização dos agressores. Em Maringá, a data também chama a atenção para a rede de atendimento mantida para acolher e acompanhar mulheres em situação de violência.

Coordenada pela Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres (Semulher), a rede reúne serviços como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), a Casa Abrigo e a Patrulha Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal. Os órgãos atuam de forma integrada para oferecer orientação, atendimento psicossocial, proteção e acompanhamento de medidas protetivas.

Segundo a secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Leila Domenici, a Lei Maria da Penha estabelece que a violência contra a mulher vai muito além da agressão física. A legislação reconhece as violências física, psicológica, sexual, patrimonial e moral e define a violência doméstica e familiar como uma violação dos direitos humanos.

Em 2026, o Cram já atendeu 241 mulheres, contabilizando 650 atendimentos com os retornos realizados pelas usuárias. A maior parte das mulheres atendidas tem entre 30 e 40 anos, e a violência psicológica aparece como a forma mais recorrente entre os casos acompanhados pelo serviço.

Nos casos em que a permanência da vítima em casa representa risco, a rede também conta com a Casa Abrigo. Neste ano, 20 mulheres já foram acolhidas no espaço, que oferece proteção para aquelas que precisam se afastar temporariamente do ambiente de violência.

Outro serviço importante é a Patrulha Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal. A equipe atua em situações de emergência, recebe denúncias e acompanha mulheres que possuem medidas protetivas. Atualmente, cerca de 1,5 mil mulheres são acompanhadas pela patrulha em Maringá. Desde 2019, foram realizados 17.873 atendimentos relacionados ao monitoramento de medidas protetivas e à violência doméstica.

A atuação da rede também envolve ações de prevenção e incentivo à autonomia financeira. Por meio do projeto Semulher Itinerante, a secretaria leva palestras e orientações sobre violência de gênero a diferentes espaços da cidade. A Semulher também oferece cursos de qualificação profissional, geração de renda e fortalecimento da autoestima. Em 2026, 1.121 mulheres participaram das capacitações dos projetos “Feito por Elas” e “Mulher Protagonista”, com atividades nas áreas de culinária, beleza, artesanato, costura, oratória, vendas e defesa pessoal.

Para Leila Domenici, ampliar a informação e facilitar o acesso aos serviços são medidas fundamentais para romper ciclos de violência. “A violência contra a mulher não escolhe classe social, cor ou idade. Muitas vezes, acontece silenciosamente dentro de casa, justamente onde deveria existir proteção. O medo e a vergonha podem dificultar o pedido de ajuda. Por isso, nosso papel é acolher, orientar e garantir que essa mulher saiba que existe uma rede preparada para atendê-la”, afirma.

O Agosto Lilás reforça justamente a importância de identificar situações de violência, conhecer os direitos previstos na Lei Maria da Penha e buscar ajuda. Em casos de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. A Patrulha Maria da Penha atende pelo 153 e a Central de Atendimento à Mulher, pelo 180.

Em Maringá, mulheres que precisam de atendimento especializado também podem procurar a Semulher, na Avenida Papa João XXIII, 497, na Zona 1, pelo telefone (44) 3293-8350. O Cram funciona na Rua Tomé de Souza, 142, na Zona 2, e pode ser contatado pelo telefone (44) 3127-5850.

Da Redação
Foto – Reprodução

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