
Desde o início de 2026, a Maringá contabilizou 97 boletins de ocorrência relacionados à violência contra crianças, segundo dados do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria). A média reforça o que já havia sido registrado ao longo de 2025, quando foram contabilizados 537 casos, correspondendo a mais de um caso por dia.
O Nucria investiga todo tipo de violência infantil, mas a maioria dos registros envolve abusos sexuais. Em 2025, foram realizadas 854 escutas especializadas, 94 medidas protetivas solicitadas e 50 prisões. Neste ano, até o momento, já foram contabilizadas 156 escutas, 17 pedidos de medidas protetivas e quatro prisões.
Em resposta ao aumento dos casos e à necessidade de qualificação de profissionais para atuar na prevenção e no combate à violência, a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou, em novembro de 2025, o Projeto de Lei 577/25, de autoria da deputada Márcia Huçulak. O texto cria a Semana Estadual de Capacitação em Diagnóstico e Tratamento das Violências contra Crianças e Adolescentes, com objetivo de treinar profissionais de educação, saúde, assistência social, conselhos tutelares, segurança e justiça para identificar sinais de agressão e adotar os encaminhamentos necessários.
“É preciso capacitar os profissionais para que consigam detectar indícios precoces, notificar adequadamente e acionar, de forma integrada, o sistema de proteção”, afirmou Márcia. “Muitas vezes os agressores são os próprios responsáveis, que justificam os ferimentos com quedas ou acidentes. A capacitação permite identificar essas situações e agir de forma correta.”
Dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) apontam que, em 72% dos casos, a violência ocorre dentro de casa, frequentemente mascarada pelos responsáveis. Ainda segundo a Sesa, quase 44% dos registros no sistema de saúde do Paraná envolvem crianças ou adolescentes, totalizando 17.960 casos em 2022, com aumento de 51% nos dois anos seguintes após a pandemia de Covid-19.
Em Maringá, um projeto aprovado ontem, de autoria do vereador Ítalo Maroneze, propõe tornar obrigatória a capacitação de profissionais para identificação de sinais de abuso sexual infantil.
O texto prevê que a capacitação seja gratuita e oferecida pela Prefeitura, com possibilidade de parcerias com universidades e instituições especializadas. O curso terá carga horária mínima de 20 horas, abrangendo profissionais de escolas, CMEIs, unidades de saúde, centros de assistência social e outros espaços de atendimento a crianças.
Alexia Alves
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