Início Destaques do Dia Seduc estuda implantação de modelo cívico-militar em escolas municipais

Seduc estuda implantação de modelo cívico-militar em escolas municipais

A eventual adoção do modelo dependerá dos resultados da consulta pública

A Secretaria de Educação (Seduc) realizará uma consulta pública para discutir a possível implantação do modelo cívico-militar em unidades da rede municipal de ensino. A iniciativa pretende ouvir famílias, profissionais da educação e demais integrantes da comunidade escolar sobre a proposta, que já é adotada em colégios da rede estadual do Paraná.

Segundo a administração municipal, o objetivo é promover um debate amplo e participativo sobre estratégias que possam fortalecer o respeito, a segurança, a disciplina e o acolhimento no ambiente escolar, contribuindo para a melhoria da aprendizagem e para a formação cidadã dos estudantes.

De acordo com a secretária de Educação, Adriana Palmieri, a consulta também responde a demandas apresentadas por famílias interessadas em conhecer melhor o modelo e discutir alternativas para aprimorar a convivência nas escolas. “Diante desse cenário, a administração municipal entende que qualquer discussão sobre o tema deve ocorrer com responsabilidade, ampla participação social e total transparência”, afirma a secretária.

A Seduc informa que a viabilidade da proposta será avaliada somente após a conclusão da consulta pública, a análise dos resultados e a apreciação técnica das contribuições recebidas. A intenção é garantir que a decisão seja tomada com base na participação efetiva da comunidade escolar.

“A educação se fortalece quando as famílias participam das decisões que impactam a vida escolar de seus filhos. Nosso compromisso é garantir informação, transparência e respeito às diferentes opiniões, permitindo que a comunidade conheça a proposta e se manifeste de forma consciente. Queremos construir esse debate com responsabilidade, serenidade e participação social, sempre colocando a aprendizagem e o bem-estar dos estudantes em primeiro lugar”, destaca Adriana Palmieri.

MODELO

A Prefeitura ressalta que o modelo cívico-militar em discussão difere dos colégios militares tradicionais. Nesse formato, não há alterações no currículo escolar nem substituição de professores ou equipes pedagógicas. A gestão pedagógica permanece sob responsabilidade dos diretores, professores, pedagogos e da Secretaria de Educação.

O modelo prevê a atuação de profissionais da área militar ou da reserva em atividades relacionadas à organização escolar, disciplina e apoio à convivência, enquanto o processo de ensino e aprendizagem continua sendo conduzido pelos profissionais da educação.

A proposta tem como referência experiências implementadas em diferentes estados brasileiros, especialmente no Paraná. Segundo dados da Secretaria de Estado da Educação, pesquisas realizadas junto às comunidades escolares apontaram aprovação de 89,3% entre pais e responsáveis e de 90,4% entre professores e pedagogos das unidades participantes.

À época do levantamento, o Estado possuía 312 colégios cívico-militares. Atualmente, após novas consultas públicas, o número foi ampliado para 345 unidades, consolidando a maior rede de colégios cívico-militares do país.

O município estuda realizar a consulta pública por meio de questionários e também por encontros presenciais com a comunidade escolar. As datas, os canais de participação e as orientações para o processo serão divulgados nos próximos dias pelos canais oficiais da Prefeitura e da Secretaria de Educação.

A administração municipal reforça que nenhuma decisão foi tomada até o momento. A eventual adoção do modelo dependerá dos resultados da consulta pública, da análise técnica das contribuições recebidas e do cumprimento dos trâmites legais previstos na legislação, incluindo eventual apreciação pela Câmara Municipal.

SINDICATO

A possibilidade de implantação do modelo cívico-militar na rede municipal tem gerado reações contrárias entre representantes dos trabalhadores da educação. Em nota, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (Sismmar) manifestou posição contrária à proposta e avaliou que a discussão desvia o foco dos principais desafios enfrentados pela Educação pública.

Para a entidade, os problemas da rede municipal exigem investimentos em infraestrutura escolar, realização de concursos públicos, valorização dos servidores, fortalecimento das carreiras e melhorias nas condições de trabalho. O sindicato argumenta que essas medidas são mais eficazes para enfrentar dificuldades estruturais e pedagógicas do que a adoção de um modelo de gestão inspirado na organização militar.

Alexia Alves
Foto – Reprodução

COMPARTILHE: