
INTERIOR PODEROSO
Se confirmada pelas urnas em outubro, a vitória de Sérgio Moro concretizará o domínio político do interior em três governos seguidos no comando do Palácio Iguaçu. Terceiro nome da região Noroeste.
LISTA
Listamos o início do ciclo com Cida Borghetti que tomou as rédeas do Estado durante um ano. Primeira mulher governadora do Paraná, catarinense de Caçador, chegou ao Palácio através de Ricardo Barros, que é de Maringá. E depois Ratinho Júnior, de Jandaia do Sul.
PIONEIRO
Em 1971, Maringá viu no Palácio Iguaçu um advogado morador da rua Arthur Thomas: Haroldo Leon Peres. Carioca, não foi eleito; foi “indicado” governador pela chamada Ditadura Civil-Militar. Mas com denúncias de irregularidades foi demitido 8 meses depois.
DA GEMA
Agora, se Sérgio Moro for eleito, será realmente o primeiro governador maringaense. Ele nasceu aqui. Sua eleição poderá resultar também na eleição do primeiro presidente da Assembleia Legislativa que tem Maringá como residência e QG eleitoral.
ALIADO
O deputado estadual José Aparecido Jacovós (PL) nasceu em Cianorte, mas desde que cursou Direito na UEM mudou-se para cá. Aliado de Moro, tem a esposa vice-prefeita e é nome em alta na ALEP e o apoio do governador garante muitos votos e enfraquece opositores.
REPASSE
Em política tudo é possível. O que parece um balão de ensaio pode acabar se concretizando. Então, como colunista vou repassar, para que o leitor faça seu juízo de valor, pelo menos três conversas que neste momento considero “cabeludas”.
PRIMEIRA
Sérgio Moro estaria se acertando com o PP, embora se saiba que ele é o articulador do partido no Paraná, Ricardo Barros, não se bicam desde a Operação Lava-Jato. Se houver um acerto, Cida Borghetti ou Maria Victória poderiam ser vice de Moro!
SEGUNDA
Ulisses Maia, que já desistiu de ser candidato a federal para ganhar com folga uma cadeira na Assembleia Legislativa, estaria desistindo de concorrer. Motivo: pedido do governador Ratinho Junior para turbinar a campanha de Lúcio Mauro Tasso, seu amigo pessoal de Jandaia do Sul.
TROCA-TROCA
Em troca, Ratinho colocaria à disposição do irmão de Ulisses, Ricardo Maia, ex-deputado, apoio eleitoral em dezenas de cidades que garantiria sua eleição para deputado federal. RM é gente boa, mas politicamente não está na melhor fase.
PLANO DE BATALHA
Enquanto isso, Ulisses permaneceria rodando a cidade, infernizando a gestão de Silvio Barros para voltar à prefeitura, tenho dúvidas. Como parlamentar estadual é muito mais fácil fazer oposição, ter voz, canais e colaboradores para denúncias
CAMPANHA
Domingo, na panificadora da Brasil, onde se discute política, voz uníssona: o nome do empresário Evandro Unifamma Oliveira cresce para deputado estadual neste período a poucos meses da eleição. Está trabalhando com gente que gosta das coisas certas.
SERIEDADE
Segundo Evandro, sua cartilha é a da política de olho no olho: “A época de político malandro, enganador, está se acabando. O povo está cansado de eleger aproveitadores que só aparecem de 4 em 4 anos. Compromisso assumido precisa ser cumprido. O Brasil precisa de políticos honestos!”
DEFESA
Segundo aliados palacianos que veem com desânimo o candidato ungido pelo governador, quisesse mesmo fazer sucessor, Ratinho Júnior teria escolhido o presidente da Assembleia, Alexandre Curi. É o único para enfrentar Moro, mas se ganhasse, Ratinho teria mais um concorrente no Palácio Iguaçu.
PENA DE MORTE
O país não tem, mas as facções usam e abusam da pena de morte. Condenam e matam a tiros, queimados, etc. Cidadão que os afronta – ou não – é assassinado. A última: quatro pessoas foram mortas por não obedecerem ao “regulamento” de baixar a cabeça quando os bandidos passam! O cidadão precisa adivinhar quem é bandido?
MAIS
Quer mais? Todo santo dia tem operação para desmantelar grandes quadrilhas interestaduais. São tantas que cada blitz policial precisa receber nome para diferenciar umas das outras.
EXEMPLO
Ontem foi deflagrada a Operação Panóptico; cerca de mil policiais foram mobilizados para o cumprimento de 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão em quatro estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul
DESCOMPASSO
Seria risível, não fosse algo muito sério, preocupante. O crime anda aos saltos, a polícia e a Justiça no miudinho, enxugando gelo. É visível que o crime avança entranhado em todas as alçadas de poder.
CÚMULO
Pior de tudo, mostrou com números: na operação aqui no Paraná, parte dos mandados de buscas (92) e dos mandados de prisão (176), foi cumprida dentro de prisões. Os bandidos estão presos e continuam armando, agindo, comandando o crime.
PRODUTIVIDADE
Ser preso, hoje, é diferente de antigamente. Hoje os presos trabalham, para as facções. São obrigados a produzir, gerar informações, mais gente fora da prisão, roubos, assaltos, vinganças.
APRENDENDO
As cadeias foram transformadas em universidades do crime. Nelas os detentos que deveriam – pelo menos parte – ser recuperados, são “profissionalizados” e saem pior do que entraram.
LEI E “LEI”
Maringá não tem comando organizado do PCC ou do Comando Vermelho. Mas tem algumas ramificações. Para dar ideia de como a polícia pensa a respeito da criminalidade, uma opinião do nosso secretário de Segurança local, Delegado Luiz Alves, que faz um bom trabalho. Segundo ele “leis” marginais são fortes – têm até pena de morte. E a nossa lei é fraquinha!
