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Maringá tem quase seis vezes mais cargos comissionados previstos que Londrina

Uma comparação realizada pelo Observatório Social de Maringá (OSM), segundo os dados disponíveis nos Portais da Transparência de Maringá e Londrina, revela uma diferença significativa na estrutura de cargos comissionados das duas cidades. Apesar de terem populações próximas, os municípios apresentam números distintos de servidores em cargos de livre nomeação.

Segundo os dados consultados, Maringá, com população estimada em 429.660 habitantes, prevê 448 cargos comissionados, enquanto Londrina, com 581.382 habitantes, prevê 77 cargos dessa modalidade. Na prática, o número de cargos comissionados previstos em Maringá é cerca de seis vezes maior que o registrado em Londrina.

Atualmente, Maringá possui 315 cargos comissionados ocupados, enquanto Londrina tem 66 servidores ocupando funções comissionadas. Na estrutura administrativa, Maringá conta com 25 secretarias, enquanto Londrina possui 19 pastas municipais.

A diferença também aparece no quadro geral de servidores. Maringá registra 11.238 servidores ativos, enquanto Londrina possui 9.436 funcionários públicos ativos, conforme os dados divulgados pelas administrações municipais.

A discussão ganhou destaque após a Câmara de Maringá aprovar a criação de novos cargos comissionados e funções gratificadas na Prefeitura. O Projeto de Lei Complementar nº 2.487/2026 propõe a criação de 67 novas vagas, com impacto financeiro estimado em aproximadamente R$ 7 milhões por ano aos cofres públicos.

O projeto foi protocolado em 13 de julho e levado à primeira votação no dia seguinte, em regime de urgência. Conforme informações do Portal da Transparência, a Prefeitura de Maringá possui atualmente cerca de 313 cargos em comissão. Com a aprovação da proposta, o número poderá chegar a 380 cargos, com vagas distribuídas entre 11 secretarias e órgãos municipais.

A Secretaria de Limpeza Urbana será uma das áreas mais beneficiadas pela ampliação, com previsão de 33 novos cargos.

Em nota, a Prefeitura de Maringá diz que promoveu uma atualização da estrutura administrativa do município com o objetivo de adequar a organização da gestão ao crescimento da rede de serviços públicos e às necessidades atuais da administração.

Nos últimos anos, o município ampliou significativamente a oferta de atendimento em diversas áreas, com novas Unidades Básicas de Saúde, escolas, Cmeis, Cras e outros equipamentos públicos. Entre os avanços, também estão previstos dois novos prontos atendimentos 24 horas para as regiões Leste e Oeste.

Essa expansão exige uma estrutura de gestão e coordenação compatível para garantir o funcionamento das unidades, a organização das equipes e a qualidade dos serviços prestados à população.

Na Educação, por exemplo, Maringá conta atualmente com 115 escolas e Cmeis, número superior ao de Porto Alegre, que possui 102 unidades municipais, apesar de ter uma população superior a 1,3 milhão de habitantes. A ampliação da rede demanda uma estrutura administrativa adequada para assegurar a eficiência dos serviços públicos.

A comparação direta entre o número de cargos comissionados de Maringá e Londrina não reflete adequadamente a realidade dos dois municípios, que possuem estruturas administrativas e modelos de gestão distintos. Londrina concentra boa parte de seus serviços em autarquias, como ocorre na área da Saúde, enquanto, em Maringá, esses serviços são executados diretamente pela Secretaria Municipal de Saúde.

Além disso, Londrina possui um número maior de funções gratificadas, aspecto que também precisa ser considerado em qualquer análise comparativa da estrutura de pessoal.

Alexia Alves
Foto – Reproduçãp

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