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Não basta querer, é preciso saber por onde começar

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que “querer é poder”? Que, se tiver força de vontade o suficiente, você chega a qualquer lugar? Essa ideia é repetida até como ditado popular. E a frase guarda uma verdade parcial. Mas também tem alguns problemas: nem sempre querer é poder. Além disso, quando fracassa, a tese  joga 100% da culpa nas costas do indivíduo.

Se o sujeito não muda de carreira, se não sai de um relacionamento que adoeceu, se não prospera ou se abandona os estudos no meio do caminho, a conclusão é a mesma: “faltou determinação”, “faltou foco”, “ele não queria de verdade”.

O psicólogo organizacional Adam Grant, ao analisar as trajetórias de pessoas que superam limites e desenvolvem o seu potencial, trouxe num de seus livros uma constatação que desconstrói a tese do “querer é poder”. Ele escreveu: “o que nós ignoramos é que, quando as pessoas não conseguem enxergar um rumo, elas param de sonhar com o destino”.

Vamos entender isso… Quando você olha para o futuro e não enxerga nada, quando não sabe por onde começar, não tem um método, não enxerga os degraus intermediários até o objetivo, a sua mente interpreta aquele objetivo não como um sonho, mas como uma ameaça. E para te proteger do desgaste, a mente simplesmente desliga o desejo. Ou seja, muitas vezes, a paralisia não é falta de vontade; é incapacidade de enxergar a rota. Sem um caminho visível, o destino vira miragem.

É por isso que tanta gente boa desiste. Elas têm a ambição, mas não sabem por onde começar. E isso vale até para coisas mais básicas. Por exemplo, a pessoa está com um problema financeiro, por exemplo. Ela quer resolver. Ela sabe como quer que a vida dela seja diferente. Mas muitas vezes ela não tem a menor ideia de qual deve ser o primeiro passo.

Tem profissional que quer mudar de área, pai que gostaria de reaprender a conversar com o filho adolescente, tem gente que tenta organizar a vida e fracassa. E o problema nem sempre é a falta de querer, é a ausência de clareza sobre como agir, o que fazer.

Todo mundo precisa de ferramentas, processos e orientação para sustentar os primeiros passos. Como as crianças aprendem na escola? Pelo exemplo. Alguém faz primeiro. E a criança experimenta e, aos poucos, faz sozinha. Não tem como esperar que alguém se mova se ela desconhece qual a direção.

Então, se você está estagnado em alguma área da sua vida, pare de se culpar, pare de se punir achando que é fraco ou descomprometido. Em vez de tentar fabricar uma motivação para se mover, faça o trabalho inteligente: vá em busca do método. Estude.

O trabalho mais difícil nem sempre é alcançar o objetivo. O trabalho mais difícil, por vezes, é compreender o processo para saber por onde começar.

Portanto, foque em descobrir qual é o próximo passo possível. Trabalhe pelo passo mais imediato, mais concreto, mais acessível. Procure quem já fez o caminho, busque ajuda. Ouça. Mesmo que as orientações desagradem, preste atenção no que outras pessoas têm a dizer. Busque exemplos. Estude os processos, quebre a grande meta em etapas visíveis e construa a estrutura que falta para começar.

Quando o caminho fica claro, fica mais fácil voltar a caminhar. Querer é importante. Mas enxergar o caminho é o que faz a gente andar.

Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras |  Doutor em Educação

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