Com prazo curto, produtor tem até 12 de novembro para pedir renegociação de dívidas
De acordo com o Sistema FAEP, tempo curto e dificuldades de contratação tornam o programa incapaz de enfrentar endividamento do campo

Os produtores rurais têm até o dia 12 de novembro para ingressar no programa de renegociação de dívidas do setor agropecuário, criado pela Medida Provisória (MP) 1.376/2026. Até o momento, os bancos utilizaram 55% do montante liberado para as operações subsidiadas, sendo que apenas R$ 14,3 bilhões dos R$ 25,8 bilhões foram autorizados até 27 de outubro.
Desde o início da vigência da MP, em julho, foram registradas 27,2 mil novas operações e 45,4 mil operações renegociadas. O Paraná contratou R$ 800 milhões (3,1%), o quarto maior valor do país, atrás do Rio Grande do Sul (R$ 7 bilhões), de Minas Gerais e de São Paulo (R$ 900 milhões cada). O valor é pequeno diante do tamanho do problema: segundo o Banco Central, o Estado somava R$ 14 bilhões em saldo problemático nos empréstimos rurais em agosto.
“O prazo é curto e o recurso insuficiente. Os bancos levaram semanas para começar a analisar os pedidos, e agora o produtor corre contra o relógio para tentar entrar num programa que já nasceu pequeno para o tamanho da dívida rural”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Seguimos tratando o sintoma, não a doença. Quem ficar de fora por burocracia ou por falta de resposta do banco não pode pagar por essa lentidão”, complementa.
A lentidão na implementação das medidas persistiu após a aprovação da MP. Somente em 13 de agosto, o Ministério da Fazenda editou a Portaria 2.423, necessária para que os bancos começassem a operar. Ainda assim, um levantamento realizado pelo Sistema FAEP com sindicatos rurais, em setembro, identificou pedidos sem andamento, exigências de novas garantias e taxas de juros que inviabilizavam a renegociação.
“A solução exige urgentemente uma política estruturada de crédito para resolver o endividamento rural. Os produtores rurais esperam mais empenho do governo federal em relação a esse tema. O setor agropecuário não aguenta mais soluções parciais, com prazo apertado e limite curto”, destaca Meneguette.
Assessoria de Imprensa
Foto – Faep



